Há várias frases famosas que falam sobre confiar nas pessoas. Uma delas é "confiança é fácil de se perder e difícil de se recuperar". Outra mais radical é "confiança só se perde uma vez", e por aí continuam as mais radicais.
Se você pensar pelo lado menos radical, você corre o risco de tirarem proveito de sua boa vontade e compaixão. Porém, embora eu duvide muito nos dias de hoje, existe a possibilidade de a pessoa realmente se arrepender, aprender com os erros e nunca mais cometê-los novamente. Esta última seria a função mais construtiva do perdão, por assim dizer.
Se você for pelo lado radical da coisa, em geral você irá se decepcionar pra sempre com aquela pessoa sem sequer considerar a hipótese dela se redimir. Talvez ela até mereça isso, pois existe gente que nasce ruim mesmo.
Como eu sempre tento entender todos os lados da coisa, resolvi tomar uma postura bem relativa com cada situação e acabei criando uma classificação de confiança pras pessoas. Isso serviria de referência para seu modo de agir com aquela pessoa. Já vou explicar o que quero dizer com isso.
A idéia que tive foi que você pode definir graus de confiança para cada pessoa ou grupo de pessoas em sua volta. E se basear nisso para escolher o nível de informação ou de relacionamento que você tem com aquela pessoa. Existem pessoas que já nascem com instinto pra essas coisas e acabam executando essa minha idéia automático. Se você for uma delas, vai achar esse texto somente uma confirmação do que você já pratica.
Nada melhor do que um exemplo pra explicar uma idéia. Então vamos a ele: considere que uma pessoa lhe disse que fez algo. Pronto. Há como classificar de 4 maneiras essa situação, pois existe uma "distância de confiança" entre o que ela (a pessoa) lhe disse que fez e o que ela realmente fez. Ou seja:
1) Ela disse que fez, porém não fez;
2) Ela disse que fez e realmente fez;
3) Ela disse que não fez, porém fez;
4) Ela disse que não fez e realmente não fez;
Pronto. Dito isso, você escolhe que tipo de relacionamento você quer ter com essa pessoa. As pessoas que agem com as situações 1) e 3) ou com todas elas, não são recomendáveis para ter relacionamento sério em qualquer nível. Porém, você pode manter um relacionamento onde nada depende do que essa pessoa falar e não deixar vazar informações suas pra essa pessoa.
Para pessoas que agem única e exclusivamente com as situações 2) e 4), aí sim, você pode elegê-la como melhor amigo(a), namorado(a), etc.
E agora o último ponto pra completar a idéia é como descobrir se a pessoa se enquadra nessas situações. Simples, testando mesmo. Porém, como você está consciente de que aquilo é um teste, SEJA também um teste. Ou seja, não invista tudo antes de classificar.
Feito isso, pode aproveitar de acordo com o que aquela pessoa merece receber de você.
Monday, February 13, 2012
A arte de discutir
Eu sempre quis escrever sobre discussão. Só que tenho medo de ser completamente mal interpretado ao fazer isso. Portanto, faço um gigante apelo para que leiam este texto da forma mais não-interpretativa possível, pois tudo que eu quero dizer estará escrito "por a + b" neste próprio texto. E este texto não é resposta para nenhum evento que tenha acontecido ultimamente nem nada. Eu sempre quis escrever exatamente o que está aqui e só fiquei adiando e adiando, mas acho que agora não vai ser mal interpretado.
Começando pela conclusão: discutir só pode ser uma arte. Sabe aquela coisa que existe toda uma linguagem própria para ser utilizada para um determinado fim, como desenhar, pintar, escrever, etc, mas cada um interpreta de um jeito diferente? Tem artista que tenta ser altamente objetivo naquilo que quer transparecer para quem vê sua arte, mas mesmo assim ainda existem aqueles que interpretam de outro jeito ou que se inspiram de maneira diferente.
Chega a ficar preocupante quão crítico está ficando se expressar, seja lá qual for a forma escolhida. O critério para o bom andamento de uma discussão, não deveria, mas está totalmente atrelado ao quão próximas estão as idéias dos envolvidos. Ou seja, a discussão só continua se todo mundo tiver concordando. Aí se torna aquela masturbação mental de um dizendo uma coisa sabendo que o outro já vai concordar e assim vai.
Se por acaso houver grande discrepância entre as idéias dos envolvidos, começa a interpretação total. Completamente interpretação. A pessoa fala que é ruim quando a cor preta é colocada somente no quadrado amarelo e o outro entende que todas as cores são ruins em todos os círculos existentes. A partir daí, a segunda pessoa começa a reclamar das cores dos círculos para primeira pessoa e chegamos na primeira situação ridícula de uma discussão que pode tomar dois rumos:
1) A primeira pessoa é sensata e percebe que a segunda está se equivocando ao entender errado e tenta repetir sua idéia de modo a esclarecer o que foi dito.
2) A primeira pessoa é tão louca quanto a segunda e reclama que sempre odiou círculos na vida e que merecia que todos fossem azuis mesmo.
Partindo de 2), não precisa nem comentar o que acontece, pois é trivial (Big Bang). Agora, partindo de 1), podem ocorrer mais duas outras situações:
3) A segunda pessoa chega a compreender a verdadeira idéia que a primeira queria dizer, após ter repetido.
4) A segunda pessoa continua falando dos círculos e desviando totalmente a situação.
Se por acaso a situação 1) ocorrer seguida da 3) e isso sempre acontecer, a discussão flui normalmente. Mas se por acaso, ocorrer 1) seguida de 4), o mais sensato seria a primeira pessoa sair da discussão. Porém não é o que sempre acontece. Se a primeira pessoa perceber a superioridade em sensatez e tentar fazer com que a segunda perceba sua idéia de qualquer jeito, pronto, o problema está formado.
Agora todas as situações ridículas poderíam ser evitadas se sempre as pessoas procurassem entender o que o outro está tentando dizer pelo que ele falou e não pelo que acham que ele quis dizer com o que ele falou.Vale ressaltar que lógico que conversas de fundamentos generalizados vão existir. Como discutir em termos gerais sem detalhar muita coisa, somente para chegar ao ponto de modo geral ou à grosso modo de alguma coisa. Nesse caso, se todo mundo tá discutindo de modo geral e chega alguém querendo detalhar a conversa, vai gerar atrito e desequilibrar a coisa toda.
Minha opinião pessoal sobre o motivo dessa questão das pessoas interpretarem discussões é a má educação em língua portuguesa. Isso é um assunto pra outro texto, mas chega a ser crítico a enorme deficiência dos alunos de ensino médio pra baixo que não sabe responder questões de texto não-interpretativo. É como se o aluno interpretasse 100% dos textos e não distinguisse narrativo de dissertativo e etc.
No fim das contas, quem disse que toda discussão tem que terminar com todos concordando? Nada disso. Pode acabar do jeito que começou, simplesmente. E aí discute de novo depois. Pode acabar sem chegar a lugar nenhum de novo? Por que não poderia? Discute de novo! Quanto mais difícil for chegar num acordo, MELHOR a qualidade dos que estão discutindo! Uma hora, de um jeito ou de outro, após dias, meses, anos, vai chegar num ponto de concordância e a partir dele vai acontecer o que deveria ser o objetivo de 100% das discussões e uma das coisas mais bonitas que existe: a evolução do pensamento.
Começando pela conclusão: discutir só pode ser uma arte. Sabe aquela coisa que existe toda uma linguagem própria para ser utilizada para um determinado fim, como desenhar, pintar, escrever, etc, mas cada um interpreta de um jeito diferente? Tem artista que tenta ser altamente objetivo naquilo que quer transparecer para quem vê sua arte, mas mesmo assim ainda existem aqueles que interpretam de outro jeito ou que se inspiram de maneira diferente.
Chega a ficar preocupante quão crítico está ficando se expressar, seja lá qual for a forma escolhida. O critério para o bom andamento de uma discussão, não deveria, mas está totalmente atrelado ao quão próximas estão as idéias dos envolvidos. Ou seja, a discussão só continua se todo mundo tiver concordando. Aí se torna aquela masturbação mental de um dizendo uma coisa sabendo que o outro já vai concordar e assim vai.
Se por acaso houver grande discrepância entre as idéias dos envolvidos, começa a interpretação total. Completamente interpretação. A pessoa fala que é ruim quando a cor preta é colocada somente no quadrado amarelo e o outro entende que todas as cores são ruins em todos os círculos existentes. A partir daí, a segunda pessoa começa a reclamar das cores dos círculos para primeira pessoa e chegamos na primeira situação ridícula de uma discussão que pode tomar dois rumos:
1) A primeira pessoa é sensata e percebe que a segunda está se equivocando ao entender errado e tenta repetir sua idéia de modo a esclarecer o que foi dito.
2) A primeira pessoa é tão louca quanto a segunda e reclama que sempre odiou círculos na vida e que merecia que todos fossem azuis mesmo.
Partindo de 2), não precisa nem comentar o que acontece, pois é trivial (Big Bang). Agora, partindo de 1), podem ocorrer mais duas outras situações:
3) A segunda pessoa chega a compreender a verdadeira idéia que a primeira queria dizer, após ter repetido.
4) A segunda pessoa continua falando dos círculos e desviando totalmente a situação.
Se por acaso a situação 1) ocorrer seguida da 3) e isso sempre acontecer, a discussão flui normalmente. Mas se por acaso, ocorrer 1) seguida de 4), o mais sensato seria a primeira pessoa sair da discussão. Porém não é o que sempre acontece. Se a primeira pessoa perceber a superioridade em sensatez e tentar fazer com que a segunda perceba sua idéia de qualquer jeito, pronto, o problema está formado.
Agora todas as situações ridículas poderíam ser evitadas se sempre as pessoas procurassem entender o que o outro está tentando dizer pelo que ele falou e não pelo que acham que ele quis dizer com o que ele falou.Vale ressaltar que lógico que conversas de fundamentos generalizados vão existir. Como discutir em termos gerais sem detalhar muita coisa, somente para chegar ao ponto de modo geral ou à grosso modo de alguma coisa. Nesse caso, se todo mundo tá discutindo de modo geral e chega alguém querendo detalhar a conversa, vai gerar atrito e desequilibrar a coisa toda.
Minha opinião pessoal sobre o motivo dessa questão das pessoas interpretarem discussões é a má educação em língua portuguesa. Isso é um assunto pra outro texto, mas chega a ser crítico a enorme deficiência dos alunos de ensino médio pra baixo que não sabe responder questões de texto não-interpretativo. É como se o aluno interpretasse 100% dos textos e não distinguisse narrativo de dissertativo e etc.
No fim das contas, quem disse que toda discussão tem que terminar com todos concordando? Nada disso. Pode acabar do jeito que começou, simplesmente. E aí discute de novo depois. Pode acabar sem chegar a lugar nenhum de novo? Por que não poderia? Discute de novo! Quanto mais difícil for chegar num acordo, MELHOR a qualidade dos que estão discutindo! Uma hora, de um jeito ou de outro, após dias, meses, anos, vai chegar num ponto de concordância e a partir dele vai acontecer o que deveria ser o objetivo de 100% das discussões e uma das coisas mais bonitas que existe: a evolução do pensamento.
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